my life as crazy as it is
Domingo, 24 de Abril de 2005
Cidade de mim
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Saio sempre de casa como quem foge.Como se nunca mais fosse voltar.

Hoje saí de casa e fui parar à minha cidade.Tinha saudades.
Boa companhia um dia de sol e de repente no jardim uma pequena grande feira tradicional.

Tantas cores, tanta gente, em sorrisos.
Vizitamos os pequenos recantos em que cada um expõe o seu trabalho com simplicidade.Recantos que se unem e acabam por compôr um efémero rico.
Em cada banca reluzem dezenas de objectos com milhares de cores...na brisa da tarde voam sonolentos pedaços de pano leves e cores suaves.Espelhos reflectem a luz do sol intermitentemente,fazem brilhar pedaços de vidro pintado.
As compotas alinhadas em tons de ambar,frascos de mel brilham dourado ao sol como joias.Os bolos também parecem joias reluzentes,como as bochechas dos pequenos que os comem com os olhos.
O riso das crianças vem do jardim...na sombra das árvores são entretidos,fascinados por um mágico.Outros pintam com as mãos e o cheiro da tinta lembra-me das vezes em que fiz exactamente o mesmo.Outros correm e riem,brincam.As arvores e os olhares,que não veem um gelado a derreter.
Tambem quero um gelado,tambem quero ser pequena...baunilha e chocolate.Que fresco,sabe bem com o sol da tarde.Tantas coisas bonitas,tanta agitação...faz-me lembrar um mercado medieval, talvez o ser humano não tenha mudado.Ainda sabemos o que sabe bem...acho eu.
Sentamo-nos num banco de jardim,descanso do movimento mas as cores não me saem dos olhos...como o sabor do gelado,como o calor do sol.Vejo os velhotes a conversarem animados no banco vizinho.
A cidade em que sou eu,o céu as arvores e debaixo delas as pessoas,as cores,o rio,as vozes e o riso.

Agora de noite,levanto os olhos das minhas letras,e vejo-a surpeêndente nasce amarela como o sol.Gigante suave no horizonte...desarmante.Espero não esquecer este dia...foi perfeito.Tenho pena de não poder amarrar ao papel cada imagem,cada sensação,com palavras.Faltam-me as palavras porque as sensações são demasiado fortes...só me resta o ultimo sorriso de quem sentiu.

Ela é tão grande,tão linda...perfeita.Inspira-me reverência e penso no previlégio de poder olhar.Rendo-me a ela.Só a ela.

Lua.

aware



publicado por aware às 21:26
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banalidades
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Ia começar a escrever e olhei pela janela.Que curioso está uma pessoa sentada na relva do jardim...e eu que pensava que era a única.Fazem-me falta os meus binóculos...enfim.

Acordar á uma da tarde deixa-me sempre uma sensação estranha no corpo.Parece que se ressente de não ter continuado a dormir para sempre.
Pelos vistos já arrumei o meu quarto.Ficou muito vazio,penso que antes estava mais honesto...reflectia-me melhor.
A foto é do meu rato antigo.Da altura em que comprei o meu computador,estragou-se depois de muitas limpezas temporárias.Desistiu.Estou contente com o novo...trabalha-se melhor.
Tenho de acabar de limpar o quarto,ontem escureceu e acabei por não conseguir fazer tudo...fiquei acordada até às quatro da manhã.
Ontem a noite não parecia noite.Foi mais um dia...um dia só meu.Tanta luz macia,suave,nem céu ficou negro.Viam-se as nuvens em azuis.Sem sono...como de dia.

Hoje parece tudo muito vazio...tudo é muito liso.O espaço perece demais.
Vou sair e vizitar miragens.O dia já não é o meu...é demasiado intenso.Tem a ver com a luz.

aware


publicado por aware às 15:00
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Lua cheia
a noite-thumb.jpg



Ao pôr do sol tudo pareçe mais azul...abro a janela e sinto o cheiro das cores.
Arrumo o meu quarto lentamente,a pensar em espaços...e no silêncio que sinto.Tudo começa a ficar mais vazio.E a luz começa a enfraquecer,cada vez mais azul.
A lua nasce entre véus de branco...dão-lhe uma duvida...uma indefenição.É como me sinto.

O ar e a janela fazem com que o espaço pareça ainda mais vazio.Vou estender a roupa ao terraço subo as escadas e sinto todo aquele espaço...Estendo lençois e sinto-lhes o fresco na brisa que passa,fico ali descalça a sentir a brisa a brincar com as minhas pernas e o cheiro da roupa fria nos dedos.Labirinto de roupa leve e fresca da água que ainda contém.
Deixo o espaço infinito aquele céu e as roupas nas linhas...parece irreal.Troco-os pelo meu quarto,agora vazio...simples no escuro da nova noite.
Tenho a sensação de que se acender as luzes me vou queimar...mas não quero ficar no escuro...sento-me á janela acendo incenso e fico no fumo e na luz ténue.Olho para o ponto vermelho de arde,tão suavemente.O fumo balança leve.
As cigarras tocam no silêncio...o barulho de um carro que passa,o ultimo grito de uma andorinha.Sons do meu sempre.
O ar...a janela...o cheiro.
Sento-me no chão do meu quarto e penso que continuo descalça...mas parece que as minhas pernas já não acabam como acabavam.Agora sou para sempre.Acendo um candeeiro fraco e uma vela.
Passa uma brisa fresca e ponho musica.Estranhamente a musica enche todo o espaço vazio...a coincidência aleatória faz com que seja perfeita.
O chão do meu quarto vazio,a janela aberta e a lua...a música e eu.

Sinto-me em mim...quem fui,quem sou.Efémero...demasiado bom,absoluto.
O ar...a janela completamente.

Respiro e vejo os pensamentos sairem da minha boca como fumo...fumo lento.
Amo.


aware


publicado por aware às 00:43
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