my life as crazy as it is
Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004
Possibilidade
Possibilidade!
O inicio de uma nova aventura.Que doces são os sonhos!
Chega de ideias meio cozinhadas sobre o amor,chega de horas mortas e lividas.Viver!
A cura para um realista é o sonho,a cura para um pessimista é o amor.Mas sem vida nada se propicia,o acaso morre e a sorte apodrece.
Como posso pôr o que sinto em palavras?Se o que sinto não tem nome e atravessa o infinito?Será tão doce que não seja real?
Que caminho?Que conselho?
Durante tanto tempo tentei andar por terreno pantanoso,como se estivesse incólume e serena:Tentei falar debaixo de água,e depois de muito tentar,e muito frustrar,afoguei-me.Desisti e o meu corpo desapareceu no azul profundo.A alma?Ecos...Nada de palpável,nenhuma verdade,nenhum destino.E assim fiquei imersa,sentindo o incrível peso do vazio sobre o meu corpo.Se alguma coisa me acordou não sei o que foi,um beijo talvez,um choque,um pensamento,a morte?
De qualquer modo acordei,acordei e senti a água na minha garganta,nos meus pulmões,no meu estômago.Debaixo de água abri os olhos e a realidade desfocada fez-me sentir mal,enjoada,e a tontura levou ao pânico e ao tentar nadar até a superficie fiquei sem norte e sem saber nadei ainda mais para as profundezas.E lá morri.
Uma coisa que já devia ter aprendido á muito tempo é que a morte é apenas uma porta para uma nova vida.Se o meu coração percebesse, talvez o meu cérebro pudesse pensar para além do pânico,e para além do vazio.
Estou a flutuar á tona de água,metade do meu corpo imerso e a outra olha para o vazio.Não tenho rumo,apenas a corrente me transporta.A vida continua mesmo sem eu querer.
Gostava de me separar de mim própria e viver sem a constante que são os remorços pelo que faço,sem vergonha de todas as acções que practico.Mesmo quando sei que é o acertado a fazer envergonho-me,critico e pedaço a pedaço vou rasgando até que nada sobra do sentimento honesto que me levou a agir.
Eu sei o que é certo e o que não é?
Durante muito tempo pensei que sim,depois até isso destruí.Acho que foi das coisas que destruí acertadamente,mas daí quem sou eu para dizer?
Tabula rasa.Tanto tempo,tantas mentiras.
Roubei tanto a todos e a mim própria,não vi que o roubo de nada serviria,o tempo e a história não teem corpo,são imateriais e por isso não podem ser tocados.Nem por mim.Nem por ninguém.
Vou dar-me a permissão de ser má por uns parágrafos.É coisa que devo usar com medida,porque sinto que se não me controlar,vou adorar ser má,tanto tanto que não vou conseguir parar.E não é isso que se pretende.
O assunto é quem me criou.Os meus deuses.Eu sei que não devia,mas...
Quando eu era nova eles eram altos,novos,enérgicos e perfeitos.Não conseguia encontrar-lhes um defeito,nem com muito esforço.
Como tudo muda.
Ele foi quem caiu primeiro,como o corvo preto como o alcatrão,quis ser cisne,com tanta força que apesar da sua aparência começou a agir como tal:Contemplou a perfeição dos verdadeiros cisnes,brancos e dourados e imitou-lhes a vida.
Morreu afogado.E a ele ninguém o salvou.
Ela caiu depois.
Demorou,mas o tempo não perdoa e inocentemente é implacável.
Como o leão apaixonado deixou que lhe arrancássem os dentes e as garras,para que pudesse casar com a filha humana e perfeita do lenhador.Apenas para descobrir que inutilizado e inofensivo só lhe restava ir-se embora e refugiar-se na sua própria companhia.Foi tão cego que abdicou das características que o tornavam único,são e bom,por cegueira dever e amor.
Traíram-se os dois.
E foram castigados de acordo.Um condenado á solidão perpétua,o outro á loucura.
Pior destino não conseguia inventar.A realidade é bem mais cruel que a imaginação.
Deuses nunca mais.

E eu,boneco de barro?Qual o meu destino?Vou dissolver-me nas águas que me carregam?Não.
Espero que não!Porque elas parecem carregar-me para alguma realidade,as águas correm,o ritmo acelera.
Já não vivo no lago de águas paradas de ontem.
O amanhã vem rápido e implacável como um assassino.
As velhas perguntas mantêm-se,e novas surgem.
Onde está o oráculo?Melhor ainda onde está o detentor do conhecimento que me libertará?
A verdade dar-te–á a liberdade.
E eu tenho sede de verdade,uma sede sofrega de quem bebe miragens secas e lunares.
Este é um momento priveligiado.Como todos aliás.
Porque o tempo é agora e este agora é único!Único!
Isto é novo.(sossega-te)o que é isto que eu sinto?
Eu sinto?Eu sinto!Já nem me lembrava de como era bom ter emoções humanas verdadeiras.(sossega-te?estás louca,vive!)
Que agitação,no absoluto silêncio da minha casa e do meu corpo.
Qualquer mecanismo foi activado.Coisas passam-se aqui.
A lembrança da tristeza ocorre-me.Virá,eu sei,virá.
Mas não faz mal,porque será outro dia!

aware


publicado por aware às 01:56
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2 comentários:
De Anónimo a 23 de Dezembro de 2004 às 17:52
Então conseguiste o que eu não consegui ainda: sentir. Só uma diferença, os meus Deuses continuam fortes e novos (contudo não são perfeitos), e são Eles que não me deixam dissolver na água. Fica bem, felicidades :]
semprecaladoJorel
(http://semprecalados.blogspot.com)
(mailto:jorel_eldarion@hotmail.com)


De Anónimo a 23 de Dezembro de 2004 às 03:34
oláá!! Parece-me que andas um pouco como eu... Ando á toa, parece que á deriva, tudo porque a vida nao tem explicaçao. Eu falo por mim e nao percebo porque é que as pessoas que menos merecem sao as que sofrem os seus ultimos dias incapazes de dizer o que realmente sentem, tudo porque nao querem magoar ou preocupar a sua familia...é com grande angustia que se assiste a este cenario e dps pergunto: porquê? tanta gente que nao faz ca falta nenhuma!!! Porque aqueles que sao amados e queridos??? E dps dou por mim a pensar que se ha realmente deus o que anda ele a fazer? está distraido? ninguem é eterno, todos nascem e todos morrem, mas porque é que aqueles que menos merecem sao os que mais sofrem???Pedro Piães
(http://pedropiaes.blogs.sapo.pt)
(mailto:pedro_piaes@msn.com)


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